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A história da Vespa

A Vespa é um veículo de duas rodas da Piaggio que ficou conhecida em todo o mundo e deu origem ao conceito de “scooter”. Conheça um pouco mais acerca da história da Vespa e saiba porque é que ela se transformou num dos ícones da sociedade italiana.

A origem da Vespa

A Vespa foi uma moto desenhada e construída pela companhia italiana Piaggio depois da II Guerra Mundial, nomeadamente no ano de 1946 e ainda hoje continua a ser produzida em grande escala. Trata-se de um tipo de moto que se distinguiu dos demais pela sua simplicidade, robustez, elegância e, acima de tudo, baixo custo. Destacou-se pela facilidade de condução que proporcionava, não sujava a roupa dos motociclistas e possibilitava o transporte adicional de um passageiro. A sua produção foi um sucesso comercial estrondoso e permitiu que a Vespa se tornasse o meio de transporte preferido por milhões de pessoas em todo o mundo.

O contexto sócio-económico do pós-guerra

A história da Vespa está intimamente relacionada com a história económico-social que se fazia sentir em Itália durante o pós-guerra da II Guerra Mundial. No ano de 1946, a Itália, à semelhança de muitos outros países europeus, encontrava-se no meio de escombros e com uma grave crise económica entre mãos por resolver. Era necessário reconstruir o país e re-erguer as principais infraestruturas. Nesse sentido, a Piaggio teve um papel preponderante, uma vez que garantiu um novo meio de transporte à população.

A Piaggio e o novo meio de transporte

A Piaggio é uma empresa italiana de transportes que foi fundada no ano de 1884 por Reinaldo Piaggio e tinha sede em Pontedera, perto de Pisa. Depois da II Guerra Mundial, a família Piaggio procurou uma maneira de reinventar o seu negócio, dado que o país estava em ruínas. O presidente da empresa, Enrico Piaggio, filho de Reinaldo Piaggio, não se deixou intimidar pela conjuntura económica negativa que na altura se vivia e resolveu deixar o campo aeronáutico em busca de um novo meio de transporte, capaz de suprir a necessidade de locomoção básica da população italiana. Nessa perspetiva, a Piaggio criou uma moto utilitária para toda a população, de baixo custo, de forma a ser acessível a todos e que pudesse ser fabricada com a escassa maquinaria existente - assim nasceu a Vespa.

Os primeiros protótipos Vespa

Em 1945 foi apresentado o primeiro protótipo, denominado de MP5, que mais tarde ficou conhecido como “paperino” ou “Pato Donald” em italiano. Este modelo teve menos de 100 unidades de produção e utilizava um motor de 2 tempos Sachs alemão de 98 cm3, com transmissão por corrente e 2 marchas. No entanto, este não foi aprovado por Enrico Piaggio, uma vez que não apresentava os atributos pretendidos. O segundo protótipo foi chamado de MP6 e depois de algumas melhorias na transmissão, embraiagem e pneus, foi lançado em Setembro de 1946. A chefia do projeto estava entregue ao inventor do helicóptero, o famoso engenheiro aeronáutico Corradino D’Ascanio, que havia sido um dos principais obreiros da emergente Força Aérea Italiana nos finais dos anos 20 e fazia parte dos quadros da empresa desde 1934. O presidente da Piaggio ficou encantado com este modelo e ao ouvir o som vibrante do seu motor exclamou que mais parecia uma vespa e o nome ficou para sempre.

As primeiras Vespas

Em Abril de 1946, a Vespa foi apresentada ao mundo e surpreendeu pela graciosidade das suas linhas e pela forma como o seu criador tinha conseguido construir um veículo utilitário, dando início ao conceito de “scooter”. As primeiras 50 vespas saíram da fábrica de Pontedera enquanto se realizava a apresentação oficial e ostentavam as características seguintes:

  • Um motor de dois cilindros que apresentava 98 cm3, 3,5 cavalos de potência a 4.500 rpm e atingia a velocidade de 60 km/h;
  • Tinha uma caixa de velocidades de 3 mudanças, tanque de combustível de 5 litros de gasolina e um consumo médio na ordem dos 40 km/l;
  • Um design clássico, robusto e elegante;
  • Não tinha piso entre a dianteira e o banco, mas sim duas placas separadas;
  • Pela primeira vez, aparece no escudo o logótipo hexagonal da Piaggio, substituindo assim o antigo emblema utilizado na aeronáutica e que ainda aparece nos protótipos MP5 e MP6.

A Vespa caiu imediatamente nas boas graças dos media e dos consumidores e o seu sucesso foi imediato e absoluto.

O sucesso da Vespa em todo o mundo

O sucesso da Vespa é um fenómeno mundial que muito dificilmente será repetido. No final da década de 40, nomeadamente no ano de 1949, mais de 35.000 unidades tinham sido produzidas. Este é um período em que a Itália se encontrava a recuperar das feridas resultantes da II Guerra Mundial e a vespa passou a ser o meio de transporte de eleição dos italianos. Nos primeiros dez anos de produção, já haviam sido produzidos um milhão de exemplares, o que era uma marca histórica no panorama motociclístico mundial. Em meados dos anos cinquenta, além de Itália, a Vespa passou a ser produzida na Alemanha, Inglaterra, França, Bélgica, Espanha, Índia, chegando até à Indonésia. O seu sucesso ultrapassou fronteiras e não deixava ninguém indiferente à sua passagem.

Vespa como um símbolo da cultura italiana

A Vespa marcou várias gerações e a venda de mais de 15 milhões de exemplares são a prova da notoriedade que a marca alcançou em todo o mundo. Tratava-se de uma moto utilizada por pobres e ricos e tornou-se um símbolo do estilo, identidade e cultura italiana. A Vespa ficou conhecida como um símbolo de liberdade e de esperança de uma nação que aguardava por um futuro melhor e foi um meio de transporte revolucionário na sua época. Não se tratava apenas de uma scooter, mas sim de um dos grandes ícones do caráter e elegância italiana. A Itália ficou conhecida como o país da vespa e esta teve um impacto social enorme em todo o mundo.